Querer ganhar mais dinheiro não é nenhum delito, mas viver para acumular, não é um bom objetivo.
Na antiguidade, a poupança era considerada uma virtude em algumas sociedades. Já a avareza, um vício condenável por todos.
È importante distinguir a pessoa que poupa.
Aquela que tem consciência de suas responsabilidades familiares, do “mão aberta” e do avaro.
Atualmente é raro quem poupe, embora o poupar seja um ponto de equilíbrio, de segurança para si e sua família.
O “mão aberta”,esquece até mesmo dos seus seres queridos.
Pensa apenas em sua satisfação, seja física ou do seu ego.
Para ele, o importante é o que se pode conseguir com o dinheiro, enquanto que para aquele que guarda, a felicidade está em tê-lo.
O avaro leva a poupança a situações extremas. Vive em função de um objetivo apenas. Acumular.
Deixa de atender até suas próprias necessidades e de seus dependentes.
Não há mais nada que o satisfaça. Nem mesmo a melhor comida, bebida, ou qualquer outro bem que lhe possa ser útil.
Mesmo tendo um bom saldo no banco, ou um colchão recheado, prefere viver na miséria.
Geralmente diz que no momento está com dificuldades, mas que amanhã ou depois vai poder gastar.
Acontece que ele nunca gasta, porque o prazer está justamente em guardar.
Guardar o dinheiro e impedir a circulação, transforma-o num elemento inútil, ou seja, totalmente sem serventia.
No entanto,o universo apresenta seus paradoxos, sendo que um deles, é acumular.
O acúmulo de dinheiro por acumular, como vimos, torna-o improdutivo e conseqüentemente acaba prejudicando também o restante das pessoas que não o tem.
Teoricamente teria de ser o contrário. Prejudicar quem o possui e não quem o faz circular.
É claro que a nossa sociedade, por sua vez, incita-nos ao consumo e ao gasto. Já que o sistema considera subversivo frear o fluxo monetário.
Por outro lado, o avaro põe a sua segurança no acúmulo e defende essa segurança não gastando.
Este processo é um verdadeiro circulo vicioso que impede o dinheiro de circular. É sabido que, ao proporcionar maior circulação da riqueza, há mais desenvolvimento, que por sua vez gera mais riqueza numa verdadeira relação ganha-ganha, estabelecendo-se assim um outro círculo, o virtuoso.
De qualquer forma, a relação com o dinheiro é muito pessoal, mas devo lembrar que a avareza é um dos sete pecados capitais.
É certo que o dinheiro foi inventado para facilitar as trocas. É um simples instrumento de troca e, é assim que devemos considerá-lo.
É como se fosse um cupom que dissesse: “vale um fogão” ou “vale um quilo de bacalhau”, mas aí não teria tanta utilidade, já que nem todos gostam de bacalhau e, sendo apenas um número, torna-se muito mais interessante, já que ele não diz o que podemos fazer com ele.
Felizmente ainda há algumas coisas que não podem ser compradas,por mais dinheiro que se tenha e a ciência avance, embora alguns só venham a aprender quando a natureza não tiver mais nada a oferecer.
Por que na verdade, como diz o filósofo Fernando Savater: “depois de se ter comido três vezes ao dia, feito amor, visitado alguns lugares e ter boa saúde não resta muita coisa a fazer”.
O dinheiro pode ser nada e tudo ao mesmo tempo. Pode se transformar em um meio para se ter companhia, supostos amigos ou amores, e construir uma vida com base no que se tenha.
O mais importante é encontrar o equilíbrio.
Rezar é bom, seja qual for a crença, mas rezar vinte e quatro horas é contraproducente.
Paralisaria suas outras obrigações como ser humano.
Também não é a solução fazer voto de pobreza, ou melhor, não há voto de pobreza e sim voto de limitação da riqueza.
Desfrutar do que se faz e do que se tem, é caminhar para o amadurecimento.
Poder pegar e saborear a fruta da árvore que se plantou e se cuidou é recomendável.
Por outro lado, o excesso de querer ter e acumular faz apodrecer as frutas que não estão sendo consumidas e desfrutadas. Pense nisso!
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